quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

video

A dádiva do aprendizado


Assista ao vídeo, leia os comentários abaixo e dê a sua opinião.

1) “A aprendizagem se realiza através da conduta ativa do aluno, que aprende mediante o que ele faz e não o que faz o professor”.
(Ralph W. Tyler)
2) A dádiva do aprendizado (filme):

- Apesar de muito pequeno, o menino tinha interesse, curiosidade e determinação para aprender:”vou fazer uma casa de pássaros para minha mãe”. A princípio, o pai não acreditava em sua capacidade e potencialidade (você é muito pequeno – ele era baixo para a idade).

- O menino tentou fazer a casinha sem a ajuda do pai, ou seja, com o próprio esforço. Pensou que conseguiria, pois costumava observar o pai trabalhando.

- Será que apenas observando alguém fazer alguma coisa, se consegue aprender?

- Após várias tentativas, o menino perdeu a paciência. Por que? Pelo fato de não ter obtido o resultado esperado. Não conseguiu cumprir seu objetivo.

- O pai, observando o real interesse de aprender do filho, resolveu ensina-lo. Resolveu gastar tempo para ensina-lo. “Estou com com tempo sobrando”.

“A instrução das crianças é o ofício em que é necessário saber perder tempo, a fim de ganhá-lo”. Rousseau

- Após as orientações do pai, enfim, o menino conseguiu realizar a tarefa. Reconheceu que o pai não havia feito nada por ele, mas fez com ele. Ou seja, ele participou ativamente do processo de seu aprendizado. “Ensinar as pessoas não é apenas dizer o que fazer, mas como fazer e fazer com elas”.

3) “A criança esquece o que vê, esquece mais depressa o que ouve, mas raramente ou nunca esquece o que faz” Russeau

4) “Nunca vou me esquecer daquele dia...”

“As crianças podem esquecer o que você disse...mas nunca vão esquecer o que sentiram.” Carl W. Buehner

Por: Pr. Marcos Tuler, extraído do livro: "Ensino Participativo na Escola Dominical".

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Raikes own Sunday-School - St. Mary de Crypt. Gloucester, England - Prédio original da primeira Escola Dominical, fundada por Raikes, 1780, Gloucester, Inglaterra.
Resiliência e Escola Dominical


Você sabe o que são alunos resilientes? Já descobriu algum em sua classe? Edward Kimball, honrado professor de Escola Dominical do século XIX, realizou um excelente trabalho educacional em sua época. Kimball não era daqueles educadores que apenas transferem conteúdos para a cabeça de seus alunos. Mas se preocupava realmente com eles. Tinha ele um grande senso de responsabilidade, especialmente por um jovem acaipirado, recém chegado da roça, que havia começado a trabalhar em uma loja de calçados das redondezas. Um dia Kimball foi à loja e, numa saleta dos fundos, persuadiu o rapaz a aceitar Cristo como seu salvador.
Ao descrever esse jovem, Kimball disse: “Tenho visto poucas pessoas cujas mentes fossem espiritualmente mais obscuras do que quando ele entrou na minha classe de Escola Dominical, ou alguém que parecesse mais improvável tornar-se um crente de opiniões claramente decididas, quanto menos com condições de preencher qualquer esfera de utilidade pública. Mas o jovem Dwight L. Moody, chegou a tornar-se conhecido como o pioneiro das modernas técnicas de evangelização em massa e como pregador ungido pelo Espírito Santo, cuja mensagem tocou milhões de pessoas na América do Norte e Europa. Assim como Moody, há em nossas escolas dominicais muitos alunos resilientes, que aparentemente nada sabem e ninguém dá nada por eles. Mas... de repente, vencem as dificuldades e os obstáculos e se tornam pessoas brilhantes, especiais. Você seria capaz de descobri-los em sua classe?
Por: Pr. Marcos Tuler.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Pastor Marcos Tuler lecionando na 1ª Conferência de ED no Coqueiro-Belém/PA


1ª Conferência de Escola Dominical na Assembléia de Deus do Coqueiro/Belém/PA




A Assembléia de Deus do Coqueiro em Belém/PA, liderada pelo ilustríssimo pastor Paulo Pessoa, realizou nos dias 15,16,17 e 18 de novembro a 1ª Conferência de Escola Dominical. Estiveram presentes cerca de 1.300 professores de diversos lugares do Estado do Pará. Foram manhãs e noites abençoadíssimas com as palestras ministradas pelo pastor Marcos Tuler e pela irmã Telma Bueno. Abrilhantaram o evento o pastor Firmino Gouveia e sua mui digníssima esposa, irmã Ester, que estiveram presentes em quase todos os seminários. O pastor Bianor, superintendente geral de Escola Dominical e coordenador do evento demonstrou sua satisfação com a realização do mesmo e seu desejo de realizar outros similares.








domingo, 18 de novembro de 2007

Pastor Marcos Tuler entrega ao pastor Nivaldo seu merecido certificado.


3ª Conferência de Escola Dominical em Santarém/PA

A 3ª Conferência de ED em Santarém foi uma bênção em todos os sentidos. Estiveram presentes cerca de 800 professores. Além dos preletores da localidade, o evento contou com a participação do pastor Marcos Tuler, que desenvolveu o tema "Ensino Dinâmico para Novos Convertidos. Os mestres mostraram-se bastante motivados e entusiasmados com as aulas ministradas em um clima de troca de experiências educacionias e muita espiritualidade. Que Deus possa continuar abençoando o povo alegre, hospitaleiro e dinâmico de Santarém.




segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Prédio original da primeira Escola Dominical, fundada por Raikes, 1780, Gloucester, Inglaterra. (St. Mary de Crypt, Gloucester, England).
CONQUISTANDO UM PADRÃO DE EXCELÊNCIA PARA A ESCOLA DOMINICAL

Pr. Marcos Tuler

INTRODUÇÃO

O principal objetivo de todos os que amam e se esmeram no laborioso ministério de ensino na igreja é que suas escolas dominicais cresçam e se desenvolvam em todos os âmbitos, aspectos e sentidos. Porém, para que esse objetivo seja de fato alcançado é imprescindível que se faça um sério e eficiente planejamento. Nenhuma Escola Dominical crescerá de verdade sem um cuidadoso e detalhado plano de ação e expansão.
Nesse afã, muitos questionamentos deverão ser feitos pelos líderes da ED: Quais as causas do insucesso da Escola Dominical? Quais as causas da constante evasão de alunos? O que fazer para criar novos departamentos ou ampliar os já existentes? A quantidade de alunos em cada classe está dentro dos padrões ideais? O que fazer para desdobrar as classes, tornando-as interessantes e participativas? Como arranjar espaços adequados para as salas de aula? Como redimensionar os espaços existentes? Como administrar os recursos financeiros, técnicos e humanos em benefício da Escola Dominical? Enfim, como conquistar um padrão de excelência para a Escola Dominical?

I. MEDIANTE UMA EFICIENTE ADMINISTRAÇÃO

1. A administração só será eficiente se houver organização.
Organização lembra ordem, método de trabalho, estrutura, conformação, planejamento, preparo, definição de objetivos.
“Uma vez que a ordem permeia o universo de Deus, temos base para crer que o céu é lugar de perfeita ordem. Leis preciosas e infalíveis regulam e controlam toda a natureza, desde o minúsculo átomo até os maiores corpos celestes.” (Manual da Escola Dominical, Antonio Gilberto). O crescimento sem ordem é aparente e infrutífero.
a) Deus é um ser organizado. Planejou a criação; a nossa redenção; a ordem das tribos; o tabernáculo; a multiplicação dos pães, etc.
A organização na Escola Dominical é extremamente necessária. Deverá estar presente em cada fase do trabalho: no planejamento, na execução do plano, e na avaliação dos resultados. A organização da ED deve ser simples e funcional; de acordo com a realidade de cada igreja.
b) Razões para a organização. Dividir e fixar responsabilidades; esclarecer os limites do trabalho a ser realizado; atender as necessidades das pessoas envolvidas; garantir resultados satisfatórios.

II. MEDIANTE UM PLANO DE CRESCIMENTO

A Escola Dominical deve crescer tanto em quantidade quanto em qualidade. As escolas que estão sempre crescendo numericamente, geralmente são as que mais se preocupam com a melhoria da qualidade de ensino. Quais os passos necessários para que a Escola Dominical cresça?

1. Localize o povo. Os líderes da ED precisam saber onde se encontra a sua população alvo. É necessário saber quem são e onde estão os alunos em potencial a serem matriculadas na Escola Dominical. Onde está a fonte de novos alunos?
a) Lista de novos convertidos. Muitos se convertem e não voltam mais à igreja. Precisamos buscá-los! Os novos convertidos são como crianças recém-nascidas em Cristo; precisam ser recepcionados e identificados imediatamente após a conversão.
b) Relação de visitantes na escola e nos cultos da igreja.
c) O rol de membros da igreja.
O rol de membros é uma fonte quase inesgotável. Faça uma campanha com o lema “Cada crente um aluno”.
O número de matriculados na ED deverá ser maior que o número de crentes no rol de membros da igreja.
d) A comunidade ao redor da igreja. Faça um recenseamento. Já que o departamento crescerá, os administradores deverão pensar em que direção ele irá crescer.
Faça uma visita ás famílias e convide-as para visitar a Escola Dominical. (Organize uma classe para não crentes.)
2. Promova uma campanha contínua de matriculas. Existe uma ligação direta entre a matrícula e a presença na ED. Á medida que cresce a matrícula, cresce também a presença.
Para dobrar a freqüência na ED é necessário dobrar a matrícula. (Geralmente, o número de alunos que freqüentam a ED assiduamente, corresponde a metade do número de alunos matriculados.)
a) Que plano de matrícula a sua igreja usa?

Plano de matrícula contrário ao crescimento

· Exigência de um novo aluno assistir à classe durante certo número de domingos seguidos, antes de ser matriculado.
· Desligar qualquer pessoa matriculada que não assista com regularidade à classe.

Motivos justos para desligamentos

Morte; transferência para outra igreja; mudança de residência que impossibilite a assistência à escola; um pedido insistente da parte do próprio aluno.

b) Quando se deve matricular um novo aluno?

Imediatamente, se for esse o desejo dele. Não se deve pôr obstáculos para a efetivação da matrícula.

3. Elabore um programa de visitação. A visitação visa encorajar os alunos ausentes, e reintegrá-los à vida cristã. (Todo Domingo, cada classe deve preparar uma lista de alunos ausentes e determinar quem da classe os visitará durante a semana.)

4. Amplie as estruturas. Criar novos departamentos, novas classes.

5. Providencie espaço adequado. Não adianta pensar em matricular novos alunos, em formar novas classes, se não existe espaço para a nova classe funcionar. Este é um dos principais problemas que explicam o pouco crescimento na maioria das Escolas Dominicais.
a) Redimensionar o espaço que já possui na igreja. Um estudo criterioso apontará o espaço não usado ou mal usado.
b) Aproveitar o espaço existente nas casas próximas à igreja ou em escolas públicas ou particulares.
c) Realizar a Escola Dominical em dois turnos.
Algumas igrejas realizam duas Escolas Dominicais: uma pela manhã e outra à tarde. Os colégios fazem isto; porque não a igreja?
d) Ampliar a construção. A igreja que constrói espaço suficiente para a sua ED tem espaço para todas as suas necessidades.

III. MEDIANTE A ADOÇÃO DE MÉTODOS CRIATIVOS

1. Exposição oral.
Aula expositiva ou preleção. Método tradicional usado freqüentemente em escolas de todos os níveis. O professor colocado diante do grupo expõe oralmente a matéria, falando ele só o tempo todo. É o método mais criticado, mas também o mais utilizado. O êxito ou fracasso no seu emprego dependerá da habilidade do professor.
2. Perguntas e respostas. É largamente utilizado por ensinadores experientes, desde os dias da antigüidade. A eficácia deste método reside no fato de que as perguntas sempre são desafiadoras. A mente, neste caso, não apenas recebe informação, mas a analisa e pondera. Existe todo um processo de reflexão, analise e avaliação que ocorre no cérebro do aluno, enquanto ele recebe a pergunta, medita nas suas implicações e verbaliza a resposta.
3. Discussão ou debate. O método de discussão ou debate é aquele em que um assunto ou tópico da lição é colocado para ser discutido entre os membros do grupo.
4. Técnicas de trabalho em grupo. Por maior que seja o entusiasmo do professor em incentivar a participação ativa dos alunos, seu sucesso vai depender em última instância de saber organizar atividades que facilitem esta participação. Aí é que entram as técnicas de trabalho em grupo. Eis algumas: phillips 66; díade; grupos simples com tarefa única; tempestade cerebral; pergunta circular; grupos de verbalização e de observação; painel; estudos de casos etc.

IV. MEDIANTE O APOIO IRRESTRITO DO LÍDER DA IGREJA

1. Comparecendo e participando.

2. Estimulando (A importância do estudo da Bíblia).

3. Incentivando seus auxiliares do ministério e líderes de Departamento.

4. Investindo na Escola Dominical.
a) Recursos financeiros. Deve a igreja destinar uma verba regular a fim de que a Escola Dominical possa funcionar sem atropelos e improvisações.
b) Recursos humanos. Compreende a reciclagem periódica do superintendente e professores.
c) Recursos Técnicos. Aquisição de material didático, mobílias adequadas e salas pedagogicamente planejadas.

Comportamento negativo

Permitir atividades paralelas à Escola Dominical (Atividades administrativas, tesouraria, serviço de som, afinação de instrumentos musicais, aconselhamento pastoral)

Não investir, ou investir insuficientemente na área de educação.

A principal parcela do orçamento da igreja sempre é dirigida a outras áreas em detrimento da educacional.

CONCLUSÃO

Todo o trabalho da Escola Dominical deve passar por uma avaliação periódica. Deve-se objetivar o padrão de excelência. Como buscar o padrão de excelência? Comparando o presente progresso (os resultados) com os alvos e objetivos previstos. A partir daí, você vai descobrir a possibilidade de melhorar e aperfeiçoar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Pastor Marcos Tuler dedica seu livro "Ensino Participativo" ao pastor Russel Shedd

O PROFESSOR COMO ANIMADOR DE INTELIGÊNCIAS

Você considera seus alunos inteligentes? Já observou se eles pensam bem antes de responder a uma questão mais elaborada? Costumam compreender, interpretar e assimilar o conteúdo recebido, com certa facilidade? O que significa ser inteligente? O vocábulo “inteligência” vem da junção de duas palavras latinas, inter “entre” e eligere “escolher”. No sentido amplo, inteligência é a capacidade cerebral pela qual conseguimos compreender as coisas a partir da escolha do melhor caminho. Entretanto, no sentido mais restrito, podemos dizer que inteligência é a capacidade de resolver problemas novos por meio do pensamento. De certo modo, isso concorda com o ensinamento geral da Bíblia sobre o assunto: Deus nos fez com a habilidade de nos adaptarmos às novas situações e problemas da vida. Ele nos criou com a competência de pensar. Por isso, em sala de aula, devemos oferecer aos nossos alunos a oportunidade da iniciativa, criatividade e esforço próprio, sem os quais, jamais desenvolverão amplamente sua capacidade cognitiva - imprescindível à aprendizagem.

Quem é o aluno inteligente?

Você é capaz de identificá-lo? Ele está em sua classe? O aluno inteligente não é somente aquele que aprende com facilidade, mas também o que se adapta às situações inéditas e problemas da vida. Ele pensa reflexivamente e exprime suas opiniões e idéias com clareza e exatidão. É aquele que está sempre pronto para aprender coisas novas, conforme ensinou Francis Bacon, “um homem inteligente consegue criar mais oportunidades do que ele encontra.”

Por que animador de inteligências?

A pedagogia moderna diz que ensinar é fazer pensar, é estimular para resolução de problemas. Portanto, o mestre deve estimular o educando a pensar por conta própria. Ou seja, produzir pensamentos novos por sua própria vontade e esforço. Não se sabe bem por que, mas há professores, tanto na educação secular quanto na cristã, que não propiciam a seus alunos a oportunidade de pensar com autonomia. O Mestre dos mestres não agiu desse modo! Jesus sempre estimulou seus discípulos a pensarem por meio de perguntas inquiridoras e situações que requeriam profunda reflexão. Seus questionamentos indiretos exigiam que os discípulos comparassem, examinassem, relembrassem e avaliassem o que havia aprendido. Ao ensinar a multidão por meio de parábolas, sua intenção nunca foi a de confundir seus ouvintes, mas, sim, de estimulá-los a descobrir o significado das palavras que Ele proferia.
Ao longo de alguns anos venho enfatizando que o professor não é apenas um transferidor de informações e conhecimentos. Sua principal função, segundo Gardner, é animar, estimular, despertar as potencialidades e as múltiplas inteligências de seus alunos. Contar histórias para crianças é uma excelente técnica de ensino, mas por que terminá-las sempre? O ideal é que a criança interaja com a história contada, apresentando o final dela ou trechos que pressuponham continuidade.

Incentive a construção do pensamento

Outra prática interessante é incentivar os alunos a recontar a lição com suas próprias palavras, oralmente ou por escrito. Isso faz com que apreendam e assimilem o pensamento central do conteúdo de ensino com mais facilidade. O professor não deve formular perguntas com respostas óbvias. O correto é elaborar questões que lhes permitam refletir criticamente em mais de uma possibilidade de resposta. Na procura pelas melhores e mais adequadas respostas, os alunos ponderam, analisam as experiências anteriores e buscam novas informações que os ajudam a esclarecer, explicar e validar a nova experiência de aprendizagem.
O aluno que pensa com autonomia tem iniciativa, determinação, e está apto para colaborar com o professor e partilhar seus conhecimentos com os colegas. Pensar é aprender a ser livre, responsável e honrado. É duvidar, questionar, não de forma altaneira, orgulhosa, presunçosa, mas visando o bem comum. Pensar não é repetir ou simplesmente reproduzir. É ativar o que de nobre há no ser humano, porque pensar é também sentir, intuir. Acerca disso, advertiu-nos o educador norte-americano, John Dewey: “O objetivo da educação devia ser ensinar a pensar, e não ensinar o que pensar”.

Nossos alunos não são “mentes vazias”

O professor deve abandonar a retrógrada postura de não reconhecer os saberes de seus alunos, uma vez que trazem consigo os conhecimentos adquiridos em outras situações de aprendizagem, vivências e experiências. Conforme afirmou David Ausubel, “o fato singular mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece”.
Grande parte do que o mestre ensina e pratica em classe não é de sua própria lavra ou propriedade intelectual. Nossos alunos não são “mentes vazias”! Não são recipientes ou bancos de dados, ao contrário, são seres pensantes, criativos, imaginativos, extraordinários. Pensam o tempo todo enquanto recebem nossos conteúdos e instruções. Possuem conhecimentos bíblicos e gerais que precisam ser valorizados e compartilhados. O mestre da Escola Dominical precisa estar atento para essa realidade. Não há mais como “esconder as cartas na manga” à maneira dos “experts” do passado que monopolizavam a informação para se mostrarem superiores a seus alunos. Hoje, a tecnologia de ensino não é mais a informação, e sim, a comunicação. E o professor... bem... o professor assume um papel mais relevante: animador de inteligências coletivas.


Por Marcos Tuler.

sábado, 22 de setembro de 2007


Pr. Marcos Tuler na XII Bienal do Livro, Rio de Janeiro

“Há três tipos de autores: em primeiro lugar, aqueles que escrevem sem pensar. Escrevem a partir da memória, de reminiscências, ou diretamente a partir de livros alheios. Essa classe é a mais numerosa. Em segundo lugar, há os que pensam enquanto escrevem. Eles pensam justamente para escrever. São bastante numerosos. Em terceiro lugar, há os que pensaram antes de se pôr a escrever. Escrevem apenas porque pensaram. São raros.”

(Arthur Schopenhauer)

CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM COOPERATIVA DESENVOLVIDA NA SALA DE AULA


A aprendizagem cooperativa é interativa. Na qualidade de membro de um grupo o aluno deve:

1. Desenvolver e compartilhar um objetivo comum.

O ideal é que os próprios alunos escolham ou participem da escolha do tema do trabalho a ser desenvolvido em sala de aula, em casa ou em qualquer outro lugar. Se eles participarem da escolha do tema, é certo que também terão em mente as razões que os levarão à conclusão do trabalho. Os objetivos têm de ser partilhado com todos.

2. Compartilhar sua compreensão de determinado problema, questões, insights e soluções.

Às vezes, de onde menos se espera é que vêm as melhores idéias, pensamentos e soluções. Há alunos que são quietos, sossegados por natureza. Quase não se ouve a voz deles, quase não se percebe sua presença na sala de aula, mas... de repente... mostram-se inteligentes, geniais, especiais. Trata-se do tão falado insight. Aquela idéia maravilhosa, compreensão clara e repentina da natureza íntima de determinado assunto, que nos vêm sem que sequer percebamos. Todas as questões, insights e soluções, independente de quem os tenham, terão de ser compartilhados.

3. Responder aos questionamentos e aceitar os insights e soluções dos outros.

Nem sempre estamos preparados para aceitar as opiniões e contribuições dos outros. Imaginamos que somente nós temos boas idéias, e pensamentos dignos da consideração do grupo. Isto é, o que o outro pensa ou sabe a respeito do tema que está sendo tratado, na nossa consideração, é insipiente, incompleto ou até mesmo irrelevante.

Este tipo de comportamento é prejudicial ao relacionamento do grupo e ao resultado final do trabalho, embora seja comum em nossas classes.

4. Permitir aos outros falarem e contribuírem, e considerar suas contribuições.

Tanto o professor quanto o aluno, jamais poderão desprezar ou desconsiderar a cooperação de qualquer pessoa que seja. Pois, todos possuem saberes, informações e experiências para compartilhar.

5. Ser responsável pelos outros, e os outros serem responsáveis por ele.

No trabalho de grupo, ao mesmo tempo em que cada um é responsável por si e por aquilo que faz, também o é pelos outros e pelo que os outros fazem. A responsabilidade do resultado do trabalho é de todos.

6. Ser dependente dos outros, e os outros serem dependentes dele. No trabalho de grupo, todos dependem de todos. Não há espaço para individualismo ou estrelismo. O trabalho de grupo é como uma edificação. Todos constroem sobre o que outros já construíram.


Pr. Marcos Tuler com seu último lançamento "Abordagens e Práticas da Pedagogia Cristã".

O QUE PERMITE A CRIAÇÃO DE UM BOM GRUPO DE APRENDIZAGEM?

Muitos professores, encetam trabalhos de grupo em suas classes, sem conhecerem os processos grupais. Vejamos como os alunos se comportam e se relacionam em grupo e quais atitudes devem ser tomadas em cada situação:

a) O professor pode facilitar a discussão e sugerir alternativas, mas não deve impor soluções aos grupos, especialmente àqueles alunos que apresentam dificuldades de trabalhar em conjunto.
b) Os grupos deverão ter de três a cinco componentes, pois, grupos maiores têm dificuldade em manter todos os membros envolvidos o tempo todo.
c) Grupos designados pelo professor, normalmente, funcionam melhor que os que se formam por si mesmos.
d) Em um grupo de trabalho há níveis diferentes de habilidades, formação, experiência.
e) Cada participante fortalece o grupo e cada membro do grupo é responsável não apenas por dar força, mas também por ajudar os outros a entender a fonte de suas forças.
f) O membro do grupo que não se sentir confortável com a maioria, deverá ser encorajado e fortalecido a fim de dar sua contribuição.
g) A aprendizagem é influenciada positivamente com a diversidade de perspectivas e experiências.
h) Com o trabalho de grupo aumenta-se as possibilidades para a resolução de problemas.
i) Cada componente deve comprometer-se com os objetivos estabelecidos pelo grupo.
j) Avaliações deverão ser feitas para se verificar quem realmente está contribuindo em benéfico de todos.
l) O grupo tem o direito de excluir um membro que não coopera e não participa; isto é, depois de tomadas todas as medidas a fim de que a situação se reverta. (O aluno excluído terá de encontrar outro grupo que o aceite.)
m) Qualquer aluno tem o direito de sair do grupo, caso perceba que está fazendo a maior parte do trabalho com pouca ou nenhuma ajuda dos outros (esse aluno, facilmente encontrará um outro grupo que acolha suas contribuições).
n) Algumas responsabilidades operacionais são compartilhadas, definidas e concordadas pelos membros de um grupo. Por exemplo:

- Todo o grupo deve comprometer-se em participar, preparar e chegar na hora para as reuniões;
- As discussões devem ser focadas nos temas, evitando críticas pessoais;
- Ter responsabilidade para a divisão de tarefas e realizá-las a contento

Texto extraído do livro “Ensino Participativo na Escola Dominical: uma nova perspectiva para a docência cristã, CPAD, Marcos Tuler.

Pr. Marcos Tuler com a equipe de vendas da CPAD na XII Bienal do Livro, RJ

domingo, 16 de setembro de 2007


CAPED - ITABUNA/BA - (Pr. Marcos Tuler com aluno de apenas 10 anos)

A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA DOMINICAL NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO CRISTÃ


A Escola Dominical está inserida em um amplo contexto educacional denominado Educação cristã. A educação cristã, como instrumento de formação e aperfeiçoamento do caráter cristão, não ocorre apenas no ambiente da Escola Dominical, mas em todos os setores e seguimentos da igreja local. Nesta rica oportunidade, apresentaremos razões que justifiquem a relevância da ED como principal ferramenta de Educação Cristã na igreja.


I. É importante em razão de sua essencialidade.

A – A Escola Dominical não é uma atividade educativa opcional, é essencial.

Em razão de a igreja estar intrinsecamente associada à educação cristã, a Escola Dominical como departamento principal de ensino, não é opcional, é vital, pois, incrementa e dinamiza todas as atividades e iniciativas educacionais e evangelísticas dos demais setores.

A Escola Dominical não pode ser considerada apenas um apêndice, anexo ou assessório na estrutura geral da igreja ou mero departamento secundário.

Ela se confunde com a própria essência da Igreja. Não é apenas parte da igreja; é a própria igreja ministrando ensino bíblico metódico, sistemático.

Desde os primórdios a Igreja Cristã perseverava na doutrina e instrução dos apóstolos. No primeiro século não havia templos. As famílias se reuniam em suas casas para orar, comungar e estudar a Palavra de Deus. Os crentes mais experientes ensinavam os neófitos basicamente de forma expositiva e em tom familiar (homilétike); explicando e interpretando os pontos mais difíceis das Escrituras de acordo com a orientação dos apóstolos e diretamente do Espírito Santo.

E hoje? A Igreja está realmente interessada em estudar a Bíblia?

B – Onde fica a ED no programa geral de nossas igrejas? Qual a sua importância?

Há algumas décadas, na maioria das igrejas tradicionais, era comum o número de matriculados na Escola Dominical ultrapassar ao de membros da igreja. O que podemos dizer das nossas Escolas Dominicais atualmente?

Enquanto as igrejas tradicionais estão repensando a ED, grande parte das igrejas pentecostais somente começaram a pensar na relevância do ensino bíblico sistemático de algumas décadas para cá.

(A CPAD através do Setor de Educação Cristã e especificamente do CAPED vem realizando um excelente trabalho de conscientização nesta área)

C – A importância da Escola Dominical está explicita no seu principal conceito.

A Escola Dominical conjuga os dois lados da Grande Comissão dada à Igreja (Mt 28.20; Mc 16.15). Ela evangeliza enquanto ensina.

O cumprimento da Grande Comissão através da ED, pode ser visto em quatro etapas:

Alcançar – a ED é o instrumento que cada igreja possui para alcançar todas as faixas etárias. (A audiência do culto à noite, além de ser heterogênea, não tem oportunidade de refletir, questionar e interiorizar o conteúdo recebido).

Conquistar – através do testemunho e da exposição da Palavra. Disse Jesus: "...serão todos ensinados por Deus...todo aquele que do pai ouviu e aprendeu vem a mim" (Jo 6.45). A conversão é perene quando acontece através do ensino.

Ensinaraté que ponto estamos realmente ensinando aqueles que temos conquistado?

Há quem diga que o ensino metódico e sistemático é contrário à espiritualidade? Isto é verdade?

"O ensino das doutrinas e verdades eternas da Bíblia, na Escola Dominical deve ser pedagógico e metódico como numa escola, sem contudo deixar de ser profundamente espiritual."

Isto significa que devemos ensinar a Palavra de Deus com seriedade e esmero, apropriando-nos dos mais eficazes recursos educacionais que estejam à nossa disposição: “...se é ensinar haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b).

Treinar – devemos treiná-los para que instruam a outros.

Estas 4 etapas estão conjugadas aos 3 principais objetivos da Escola Dominical que são: ganhar almas para Jesus; desenvolver a espiritualidade dos alunos e treinar o cristão para o serviço do Mestre.

II. É importante porque é a principal agência de ensino na igreja.

A ED é a maior agência de ensino da Igreja. Nenhuma outra reunião tem um programa de estudo sistemático da Bíblia com a mesma abrangência e profundidade. Ajustado a cada faixa etária, o currículo da ED possibilita um estudo completo das Escrituras em linguagem acessível a cada segmento, criando raízes profundas na vida de cada crente.

III. É importante porque é uma escola que transforma.

Foi a criação da Escola Dominical, da forma como é conhecida atualmente, que mudou a face da Inglaterra, que mudou a face da Inglaterra. Crianças que antes tinham comportamento marginalizado, abandonadas à sua própria sorte, começaram a ser atraídas por Robert Raikes para reuniões sistemáticas com tríplice ênfase: social, bíblica e evangelística.

IV. É importante porque fortalece a comunhão com Deus e entre os irmãos.

Não pode haver crescimento espiritual fora do contexto da comunhão cristã

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus...” (Ef 4.13).

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações (...) Todos os que criam estavam juntos...” (At 2.42,44).

A Escola Dominical propicia um ambiente favorável ao inter-relacionamento dos crentes.

Ela representa o lar espiritual onde, além do conhecimento da Palavra de Deus, compartilham-se idéias, princípios, verdades e aspirações.

V. É importante porque é ferramenta de evangelização e discipulado.

VI. É importante na edificação total da família cristã.

Ela não cuida apenas da formação espiritual, mas preocupa-se com a edificação geral, que inclui:

Bons costumes, exercício da cidadania e a formação do caráter

A ED complementa e, às vezes corrige a educação ministrada nas escolas seculares.

a) A ED complementa a educação cristã ministrada nos lares.

No Antigo Testamento, entre o povo de Deus, eram os próprios pais os responsáveis pelo ensino das Escrituras:

“E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimará (inculcarás) a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 6.6,7).

“Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Dt 11.18,19).

“Ajunta o povo, homens, e mulheres, e meninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam, e temam ao Senhor, vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta lei” (Dt 31.12).

“E o terá consigo (o livro da Lei), e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos para cumpri-los” (Dt 17.19).

O objetivo final é sempre cumprir: “Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1.22).

A grande maioria das famílias recebe pouca ou nenhuma instrução na Palavra de Deus, no lar, sob a liderança do seu chefe. Em função de a Bíblia perder seu lugar no seio da família, a igreja ficou com a grande responsabilidade de providenciar educação religiosa.

Todo o impacto desta responsabilidade caiu sobre a ED e seus oficiais. Além de aproximar pais e filhos na comunhão do corpo de Cristo, A ED introduz crianças, adolescentes, jovens e adultos no conhecimento bíblico, afastando-os da ociosidade e das más companhias.

VII. É importante porque é fonte de genuíno avivamento.

Hilquias, o sacerdote: “Achei o livro da Lei na Casa do Senhor” (2 Cr 34.15).

É um chamamento à redescoberta do ensino da Palavra de Deus como base de todo avivamento. Não há outro caminho para manter a Igreja viva, a não ser o retorno às Escrituras, como ocorreu no tempo do rei Josias.

marcos.tuler@cpad.com.br

Tel: (21) 2406-7345





quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Uma chamada especial

Dia desses, mexendo nos meus alfarrábios, deparei-me com uma cópia do juramento da minha formatura no curso de Pedagogia. Ela estava meio amarelada, pois, há tempos, jazia entre as páginas de um velho livro de didática. Naquele momento, muitas lembranças vieram-me à mente. Treze anos se passaram e o teor daquela mensagem jamais saiu da minha memória: “Solenemente prometo, no desempenho de minhas funções de Educador, transmitir com lealdade, integridade e honestidade os ensinamentos humanos e científicos que façam dos jovens a mim confiados profissionais e cidadãos conscientes, responsáveis e inteligentes; se criar homens eu conseguir, sentir-me-ei realizado."

Que dia memorável foi aquele! Recordo-me perfeitamente de como estufava o peito e bradava aquelas palavras diante da emocionada platéia que nos assistia. Mesmo sabendo que a realidade nem sempre combina com seus ideais, o educador nunca deixa de acreditar na concretização de seus sonhos.

Não devo negar que este meu “achado” fez-me relembrar os ideais concernentes à educação profissional, secular. Enchi-me plenamente de entusiasmo ao revisitar meu compromisso com a formação de cidadãos conscientes e responsáveis. Todavia, o que realmente me impressionou foi o sentimento que tive acerca de minhas responsabilidades como educador cristão.

Desde de que recebi a chamada para o ministério do ensino, assumi um compromisso com Deus muito mais sério que aquele evocado na formatura. Disse ao Todo-Poderoso que estaria disposto a cuidar de almas. Preciosas almas! Cidadãos dos céus! Afirmei também que sentir-me-ia realizado ao educar jovens, adolescentes e crianças conduzindo-os para a vida eterna.

Mas, como fazer isso? Com quais métodos? Quais recursos? Perguntava a mim mesmo, constantemente. A resposta não pode ser outra: fazendo com que meus alunos compreendam, assimilem e pratiquem a Palavra de Deus através de todos os procedimentos e meios possíveis. Investindo todos os esforços para que aprendam, obedeçam e se tornem cada dia mais parecidos com o Mestre dos mestres.

Prof. Marcos Tuler

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Entrevista com o pastor Marcos Tuler


Entrevista com o pastor Marcos Tuler, cedida ao "Informativo do Colportor", CPAD, para as comemorações do "Dia do Professor" em 15 de outubro. Professor Tuler fala sobre educação, metodologia e relacionamento professor-aluno no âmbito da Escola Dominical.

Clique na figura abaixo, leia o texto e faça seus comentários.



terça-feira, 21 de agosto de 2007

1ª Conferência de ED em Tomé Açu, extremo norte do Pará


Educação: um ministério apaixonante


Há diferença entre professores e educadores no que se refere à práxis do ensino? Como podemos distingui-los, identificá-los? É suficiente dominar métodos, procedimentos e técnicas didáticas? Óbvio que não! Educação é muito mais que isso. Envolve sentimento, amor e paixão.
Este tema, romanticamente discutido e refletido no âmbito da educação secular, assume maior importância e dimensão no da educação cristã. Nenhum educador cristão deve fracassar diante da tentação de apenas manter seus alunos informados a respeito da Bíblia e da vontade de Deus. Antes deve torná-los, através da influência do próprio exemplo, praticantes da Palavra e perseguidores da vontade divina.
Educação não é profissão. É vocação! E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança. Nesse sentido, o educador é um eterno apaixonado. Não deve ser considerado um simples professor, na acepção daquele que apenas ensina uma ciência, técnica ou disciplina. Educadores e professores possuem função e natureza distintas. Eles não são forjados no mesmo forno. E se de fato não são de mesma natureza, de onde vem o educador? Qual a sua procedência? Tem ele o direito de existir? Como pode ser constituído? Não se trata de formar o educador, como se ele não existisse. Como se houvesse escolas capazes de gerá-lo ou programas que pudessem trazê-lo à luz. Eucaliptos não se transformarão em jequitibás, a menos que em cada eucalipto haja um jequitibá adormecido: os eucaliptos são árvores majestosas, bonitas, porém absolutamente idênticas umas às outras, que podem ser substituídas com rapidez sem problemas. Ficam todas enfileiradas em permanente posição de sentido, preparadas para o corte e o lucro.
Os eucaliptos são símbolos dos professores, que vivem no mundo da organização, das instituições e das finanças. Os eucaliptos crescem depressa para substituírem as velhas árvores seculares que ninguém viu nascer e nem plantou. Aquelas árvores misteriosas que produzem sombras não penetradas, desconhecidas, onde reside o silêncio nos lugares não visitados. Tais árvores possuem até personalidade como dizem os antigos. Os educadores são como árvores velhas, como jequitibás, possuem um nome, uma face, uma história. Educador não pode ser confundido com professor. Da mesma forma que jequitibás e eucaliptos não são as mesmas árvores, não fornecem a mesma madeira. O educador não lida apenas com números, fórmulas, palavras, mas com gente, almas, emoções, amor e paixão.

Marcos Tuler

domingo, 29 de julho de 2007


COMPETÊNCIAS IMPRESCINDÍVEIS AO ENSINO NA ESCOLA DOMINICAL

Gostaria que os amados companheiros de ministério comentassem sobre a importância dessas três competências para sua prática de ensino.

Competências são capacidades, habilidades, aptidões necessárias ao professor para que possa desenvolver um trabalho dinâmico, interessante na sala de aula.

1) Competência para traçar e alcançar objetivos

Assim como o agricultor precisa escolher um determinado ponto à frente, em linha reta, antes de começar a cavar, para que a vala não fique sinuosa, o professor precisa de direção.

Não há como o professor desenvolver um bom trabalho educativo sem metas bem definidas à sua frente.

Como disse Aristóteles: “Todos os nossos atos devem ter um fim definido, à maneira dos arqueiros que apontam para um alvo bem assinalado”.

2) Competência para planejar o ensino

É inadmissível trabalhar com educação cristã sem um plano de ação didática.

A falta de planejamento ocasiona dois males que dificultam o ensino: a rotina e a improvisação.

Uma boa aula tem de ter pelo menos princípio, meio e fim, ou seja, introdução, desenvolvimento e conclusão.

Antes de planejar sua aula o professor deve refletir: O que pretendo alcançar? Como alcançar? Em quanto tempo? O que fazer? Como avaliar o que foi alcançado?

É necessário que o professor preveja todas as etapas da aula:

Determine os objetivos, selecione os conteúdos, organize os procedimentos de ensino, determine o tempo, selecione os recursos e as formas de avaliação.

3) Competência para orientar a aprendizagem

Antigamente, os professores achavam que sua principal função era reunir certa quantidade de informação e repassá-la aos alunos.

O bom aluno era aquele capaz de armazenar o máximo dessas informações de reproduzi-las, fielmente.

Hoje se sabe que o ensino não representa aquilo que o professor faz para os alunos, mas o que o próprio aluno faz por meio da orientação do professor.

O professor precisa mudar sua postura! Deixar a cômoda atitude professoral e assumir, definitivamente, a função de orientador, “facilitador da aprendizagem”.



quarta-feira, 11 de julho de 2007

Aprender a ser

A educação secular ensina que todo ser humano deve ser preparado inteiramente – espírito, alma, corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético e responsabilidade moral, ética e espiritual. Os jovens precisam aprender a elaborar pensamentos autônomos, críticos, e formular os próprios juízos de valores, para decidirem por si mesmos, como agir em diferentes circunstâncias da vida.
A educação cristã vai além das raias da simples valorização do ente. A Palavra de Deus nos instrui que não devemos pensar apenas em nós mesmos, no que somos, julgamos ou podemos ser. Temos de pensar na valorização do outro – no ser do outro. Não há como ser sem o outro. Todavia, para valorizarmos o outro é necessário nos valorizarmos a nós mesmos. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39).
Outra coisa importante é que o cristão nunca deixa de aprender a ser. Ele está sempre crescendo nesse sentido, porque a aprendizagem da fé está no fato de o crente ser e saber ser uma pessoa em constante busca de seu aperfeiçoamento moral, ético e espiritual.

CONCLUSÃO

Com base nos quatro pilares da educação, compreendemos que profundas mudanças precisam ocorrer, tanto no sistema de ensino secular quanto no cristão.
Pode levar algum tempo para aceitarmos que só se aprende participando, vivenciando, tomando atitudes diante dos fatos, escolhendo procedimentos para atingir determinados objetivos. Não se ensina só pelas respostas dadas, mas principalmente pelas experiências proporcionadas, pelos problemas criados, pela ação desencadeada. Não foi por esse mesmo princípio que Jesus ensinou o caminho da salvação à mulher samaritana?

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Aprender a conviver

“O gráfico da competência tem duas diretrizes: a pessoa que sabe fazer e a que sabe se relacionar”.
Clarice leal

Faz parte da educação, aprender a lidar com pessoas diferentes, tratar de assuntos relevantes, não falar mal dos outros, não usar a força para resolver conflitos, demonstrar gentileza e sinceridade no tratamento com os colegas e professores. É justamente na escola que os alunos aprendem as regras básicas de convivência em sociedade. O que cada professor precisa fazer é abrir espaço a fim de que eles aprendam a conviver, se conheçam e se respeitem.
Há alunos que possuem sérias carências sociais e afetivas, dificuldade de relacionamento e uma necessidade enorme de cultivar amizades sinceras. Os mestres precisam propiciar-lhes, urgentemente, um clima de amor e amizade.
No âmbito da educação cristã é essencial que os professores tenham coragem de desvestir a escola dominical de sua fisionomia de “lugar para ocupar as manhãs de domingo” para transformá-la em verdadeiro centro de convivência e comunhão cristã. Precisamos de um espaço estimulador de projetos participativos, cooperativos, identificados pela busca de objetivos comuns. A Bíblia nos informa que nos primórdios da Igreja cristã “Todos os que criam estavam juntos” (At 2.44). Toda a comunidade crescia em graça e conhecimento em função de permanecerem reunidos em torno das Escrituras Sagradas.
Não é suficiente o contato que os professores têm com seus alunos durante a aula na Escola Dominical. O educador cristão precisa oferecer um meio-ambiente favorável para um inter-relacionamento onde haja plena compreensão e possam compartilhar idéias, aspirações e verdades aprendidas na Palavra de Deus.

terça-feira, 19 de junho de 2007




Aprender a fazer

Embora quem aprenda a conhecer já esteja aprendendo a fazer, esta segunda competência enfatiza a questão do preparo para as coisas práticas da vida. A educação, em termos gerais, é um “processo de vida” e não uma “preparação para o futuro”. Os alunos desejam que seus problemas sejam solucionados aqui, e agora. Por isso, precisam ser estimulados à criatividade a fim de descobrirem o valor construtivo do trabalho realizado em sala de aula. Na esfera da educação cristã, é preciso ressaltar a importância de se praticar os conhecimentos bíblicos aprendidos na escola dominical. Os ensinos da Bíblia têm de sair do campo teórico, visto que está carregado de realidade e senso prático. Conforme asseverou-nos o apóstolo Paulo, “Ponham em prática o que vocês receberam e aprenderam de mim, tanto as minhas palavras como as minhas ações” (Fp 4.9).

sexta-feira, 15 de junho de 2007



UMA VISÃO CRISTÃ DOS
QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO



Ao longo de dez anos venho me esforçando no sentido de auxiliar professores voluntários da Escola Dominical na compreensão de matérias didático-pedagógicas. Os quatro pilares da educação é um tema bastante discutido nos meios acadêmicos em todo o mundo. Esta matéria pode tranqüilamente ser adaptada à realidade do ensino bíblico praticado na ED.

A partir de agora estarei disponibilizando parte por parte deste artigo publicado na revista Ensinador Cristão da CPAD. Boa leitura. Faça seus comentários.


No final do século passado, pesquisadores de diversas partes do mundo reuniram-se a fim de traçar um eixo condutor para a educação do século XXI. Após muitas pesquisas concluíram o trabalho sintetizando-o num famoso relatório intitulado “Os Quatro Pilares da Educação”. Em síntese, aqueles especialistas concluíram que para agir eficazmente o aluno do nosso tempo deve exibir certas competências imprescindíveis ao desenvolvimento do ser humano: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
Qual a importância dessas aprendizagens para os alunos da escola dominical? Quais dessas competências podem ser observadas na prática de ensino de nossos professores? Como adaptá-las à realidade do ensino bíblico ministrado em nossas classes? Os resultados são práticos e realistas? Esses quatro pilares podem ser trabalhados com todas as faixas de idade? Vejamos:

Aprender a conhecer

O aluno aprende a conhecer quando adquire as competências necessárias à compreensão. Aprender a conhecer é o mesmo que aprender a aprender: o aluno não apenas recebe passivamente o conhecimento do professor, mas, com o auxílio deste, adquire o domínio dos instrumentos de recepção do conhecimento. Isto é, o aluno constrói o conhecimento enquanto o professor libera a capacidade de auto-aprendizagem do aluno. Isso confirma o que ensinou o teólogo e educador Kierkegaard, o educando, com a ajuda do educador, “adquire a consciência real do que ele sabe, do que ele não sabe e do que ele pode ou não pode saber”.
Nesse contexto, a aprendizagem acontece por meio da conduta ativa do aluno, que aprende quando faz alguma coisa e não simplesmente por ver o professor fazendo.
Aprender a conhecer é uma expressão de ordem que dá um basta à aprendizagem de saberes de pouca ou nenhuma utilidade. O aluno somente aprende quando o conteúdo de ensino faz parte do seu foco de interesse, necessidade e expectativas. Em vez da simples transmissão de conteúdos, o que passa a imperar são as habilidades para se construir conhecimentos. Valoriza-se o exercício do pensamento e a seleção das informações que possam ser, efetivamente, contextualizadas com a realidade. Conforme ensina o educador César Romão, “Mais vale o que se aprende do que aquilo que se ensina”.