quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Pastor Marcos Tuler dedica seu livro "Ensino Participativo" ao pastor Russel Shedd

O PROFESSOR COMO ANIMADOR DE INTELIGÊNCIAS

Você considera seus alunos inteligentes? Já observou se eles pensam bem antes de responder a uma questão mais elaborada? Costumam compreender, interpretar e assimilar o conteúdo recebido, com certa facilidade? O que significa ser inteligente? O vocábulo “inteligência” vem da junção de duas palavras latinas, inter “entre” e eligere “escolher”. No sentido amplo, inteligência é a capacidade cerebral pela qual conseguimos compreender as coisas a partir da escolha do melhor caminho. Entretanto, no sentido mais restrito, podemos dizer que inteligência é a capacidade de resolver problemas novos por meio do pensamento. De certo modo, isso concorda com o ensinamento geral da Bíblia sobre o assunto: Deus nos fez com a habilidade de nos adaptarmos às novas situações e problemas da vida. Ele nos criou com a competência de pensar. Por isso, em sala de aula, devemos oferecer aos nossos alunos a oportunidade da iniciativa, criatividade e esforço próprio, sem os quais, jamais desenvolverão amplamente sua capacidade cognitiva - imprescindível à aprendizagem.

Quem é o aluno inteligente?

Você é capaz de identificá-lo? Ele está em sua classe? O aluno inteligente não é somente aquele que aprende com facilidade, mas também o que se adapta às situações inéditas e problemas da vida. Ele pensa reflexivamente e exprime suas opiniões e idéias com clareza e exatidão. É aquele que está sempre pronto para aprender coisas novas, conforme ensinou Francis Bacon, “um homem inteligente consegue criar mais oportunidades do que ele encontra.”

Por que animador de inteligências?

A pedagogia moderna diz que ensinar é fazer pensar, é estimular para resolução de problemas. Portanto, o mestre deve estimular o educando a pensar por conta própria. Ou seja, produzir pensamentos novos por sua própria vontade e esforço. Não se sabe bem por que, mas há professores, tanto na educação secular quanto na cristã, que não propiciam a seus alunos a oportunidade de pensar com autonomia. O Mestre dos mestres não agiu desse modo! Jesus sempre estimulou seus discípulos a pensarem por meio de perguntas inquiridoras e situações que requeriam profunda reflexão. Seus questionamentos indiretos exigiam que os discípulos comparassem, examinassem, relembrassem e avaliassem o que havia aprendido. Ao ensinar a multidão por meio de parábolas, sua intenção nunca foi a de confundir seus ouvintes, mas, sim, de estimulá-los a descobrir o significado das palavras que Ele proferia.
Ao longo de alguns anos venho enfatizando que o professor não é apenas um transferidor de informações e conhecimentos. Sua principal função, segundo Gardner, é animar, estimular, despertar as potencialidades e as múltiplas inteligências de seus alunos. Contar histórias para crianças é uma excelente técnica de ensino, mas por que terminá-las sempre? O ideal é que a criança interaja com a história contada, apresentando o final dela ou trechos que pressuponham continuidade.

Incentive a construção do pensamento

Outra prática interessante é incentivar os alunos a recontar a lição com suas próprias palavras, oralmente ou por escrito. Isso faz com que apreendam e assimilem o pensamento central do conteúdo de ensino com mais facilidade. O professor não deve formular perguntas com respostas óbvias. O correto é elaborar questões que lhes permitam refletir criticamente em mais de uma possibilidade de resposta. Na procura pelas melhores e mais adequadas respostas, os alunos ponderam, analisam as experiências anteriores e buscam novas informações que os ajudam a esclarecer, explicar e validar a nova experiência de aprendizagem.
O aluno que pensa com autonomia tem iniciativa, determinação, e está apto para colaborar com o professor e partilhar seus conhecimentos com os colegas. Pensar é aprender a ser livre, responsável e honrado. É duvidar, questionar, não de forma altaneira, orgulhosa, presunçosa, mas visando o bem comum. Pensar não é repetir ou simplesmente reproduzir. É ativar o que de nobre há no ser humano, porque pensar é também sentir, intuir. Acerca disso, advertiu-nos o educador norte-americano, John Dewey: “O objetivo da educação devia ser ensinar a pensar, e não ensinar o que pensar”.

Nossos alunos não são “mentes vazias”

O professor deve abandonar a retrógrada postura de não reconhecer os saberes de seus alunos, uma vez que trazem consigo os conhecimentos adquiridos em outras situações de aprendizagem, vivências e experiências. Conforme afirmou David Ausubel, “o fato singular mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece”.
Grande parte do que o mestre ensina e pratica em classe não é de sua própria lavra ou propriedade intelectual. Nossos alunos não são “mentes vazias”! Não são recipientes ou bancos de dados, ao contrário, são seres pensantes, criativos, imaginativos, extraordinários. Pensam o tempo todo enquanto recebem nossos conteúdos e instruções. Possuem conhecimentos bíblicos e gerais que precisam ser valorizados e compartilhados. O mestre da Escola Dominical precisa estar atento para essa realidade. Não há mais como “esconder as cartas na manga” à maneira dos “experts” do passado que monopolizavam a informação para se mostrarem superiores a seus alunos. Hoje, a tecnologia de ensino não é mais a informação, e sim, a comunicação. E o professor... bem... o professor assume um papel mais relevante: animador de inteligências coletivas.


Por Marcos Tuler.

3 comentários:

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene.
Meus parabéns pelo post. Espero que nossos professores da ED estejam acessando o seu blog, pois os posts estão interessantes e desafiadores.
Chegará o tempo que nossos professores não apenas ensinaram moral e religião, mas competências e "inteligências". A ED é um extraordinário espaço que possibilita o uso de inúmeras inteligências, mas infelizmente poucos professores despertam ou incentivam o alunato à "aprenderem de forma idiossincrática", isto é, pessoal, particular, própria; de acordo com o estilo pessoal de cada aluno.

Marcos disse...

Caro professor Esdras, seus comentários são sempre pertinentes e inteligentes. Quando você diz "ensinar competências", fico realmente emocionado. Porque todo conhecimento deve ser conduzido para a prática, para ação. A competência nada mais é do que a intercessão entre o conhecimento, a habilidade e a atitude. É necessário conhecer e ter habilidade, ou seja, saber fazer alguma coisa. Mas, se o aluno conhece e sabe fazer, ainda lhe falta uma coisa: ter a atitude de fazer, agir. De que adianta conhecer, saber fazer e não tomar a atitude de fazer? O aluno deve partir imediatamente para a ação.

Um forte abraço.
Pr. Marcos Tuler.

Ceris disse...

Tenho ouvido muito os professores da escola dominical aboradarem a questão da diversidade de alunos, cada qual no seu nível de desenvolvimento, e questionam como posso colocar todos esses alunos juntos em situação de aprendizagem, com sentido para cada um deles, que os envolva e os mobilize para o saber, atendendo à “zona de desenvolvimento proximal” de cada um?
Considero este tópico muito pertinente a estas questões, independente do nível, são alunos inteligentes capazes compreender, interpretar e assimilar o conteúdo recebido, somos filhos de um Deus criativo e com certeza herdamos esta capacidade de criatividade Dele.
O que precisamos é incentivar o pensamento criativo e autônomo como diz Freire é um ‘tempo de possibilidades e não de determinismo”.
Obrigada por trazer assuntos importantes para nossa edificação, seu blog será visitado sempre. Rs

Paz