quinta-feira, 2 de julho de 2009



Você prega, Deus realiza. Desça do púlpito vitorioso!

Por: Marcos Tuler

Dirigi-me à empresa na certeza de que teria mais uma produtiva e abençoada jornada de trabalho. Antes de chegar à minha sala, avistei um amigo, funcionário da gerência de jornalismo. Ao perceber que ele também havia me visto, detive-me por alguns instantes no corredor de acesso às demais gerências no intuito de cumprimentá-lo. (Permitam-me, por questões éticas, não lhe declinar o nome.)
Antes que eu pronunciasse a primeira palavra, o insigne jornalista desarticulou-me, e pôs-se a falar de modo esfuziante: “Irmão Marcos, preciso contar-lhe uma experiência que tive com Deus!” “Lembra-se do dia que o senhor pregou sobre o amor ao próximo?” “Sim, respondi interessado.” “Pois então, sábado pela manhã, o Espírito Santo me fez lembrar daquela mensagem.” Pôs-se a contar didaticamente seu piedoso testemunho.
“Deus decidira, por bondade e misericórdia, agraciar-nos com a bênção da casa própria. Nossa nova residência, embora sem pompas e aparatos, preenchera confortavelmente nossa modesta expectativa de moradia. O Senhor atendera graciosamente nossas orações!”
“Eu e minha esposa ficamos tão felizes com a nova aquisição que mal podíamos esperar o dia da mudança. Afinal, além de nos livrarmos das despesas do aluguel, passamos a morar definitivamente no que é nosso: aquele apartamento representa o fruto dos nossos esforços.”
“Enfim, chegou o esperado dia da mudança. Havia chovido a semana inteira e provavelmente continuaria no sábado. Oramos insistentemente ao Senhor pedindo que não chovesse pelo menos em nossa cidade, pois o carro que havíamos conseguido para o transporte dos móveis era uma pick-up de carroceria aberta, e em função disso, temíamos que nossos pertences fossem avariados pela chuva.”
“O dia avançava veloz. Continuamos orando fervorosamente, mas parecia não adiantar! A chuva caia insistente e copiosamente na contramão de nossos anseios e petições.”
“Depois de certo tempo, quando a angústia e o desânimo parecia descontrolar-nos (enfatizou o jornalista fitando-me nos olhos), o Espírito Santo fez-me lembrar de parte da mensagem em que o senhor dizia que devemos querer para o próximo todo bem que desejamos para nós mesmos. A palavra de Deus citada pelo irmão naquela ocasião, ainda ecoava doce e sonoramente em meus ouvidos: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30). “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos (1 Jo 3.16).
Naquele instante, parecia ouvi-lo nitidamente repetir: ‘se desejamos uma boa escola para os nossos filhos devemos esperar que os filhos dos nossos irmãos e vizinhos também consigam uma boa escola.’ ‘Se almejamos uma boa casa ou um carro do último tipo, também devemos desejar essas coisas para o nosso próximo.’
Quando estas lembranças me vieram à mente, pude compreender que estávamos orando de forma errada. Imediatamente mudamos nossa oração e começamos pedir a Deus que ajudasse as outras pessoas que porventura estivessem passando pelo mesmo problema que nós, ou quem sabe, até pior, em razão da chuva ou da falta dela. De repente percebi que estava orando cada vez mais intensamente por aquelas possíveis pessoas. Tão intensamente, que esqueci-me do meu próprio problema. Foi quando minha esposa me disse: ‘Filho, a chuva já passou!’
Daquele momento em diante não choveu mais uma gota!
É possível que meu leitor ainda não esteja entendendo o motivo pelo qual estou narrando este testemunho. Quando comecei escrever este artigo intentava discorrer sobre o tema “amor ao próximo”, porém, em dado momento, o Espirito Santo direcionou-me ao grande dilema de boa parte dos pregadores: estar ou não sendo usado por Deus no momento da entrega da mensagem.
Confesso que quando desci do púlpito na ocasião em que preguei sobre o amor ao próximo, não tinha idéia de como essa mensagem surtiria efeito nas pessoas que me ouviam.
O fato é que, quase nunca prevemos o alcance ou avaliamos os efeitos de nossas mensagens sobre os ouvintes. Às vezes nos empolgamos quando nossas prédicas, carregadas com as pompas da retórica, arrebatam do auditório calorosos elogios e congratulações. Entretanto, quando nos falta o aparente brilho, desejamos que o chão se abra e sorva celeremente nossa vergonha e decepção. Por que nos ocorre esta desagradável experiência? Por que agimos assim? Infelizmente, mesmo sem nos dar conta, ao descermos do púlpito, costumamos ajuizar as operações de Deus pelo que é aparente, ou seja, pelas visíveis reações e manifestações da audiência. Esquecemo-nos que Deus trabalha e realiza como e quando quer, independente das nossas medíocres expectativas.
É aí que, no final de cada mensagem, conjecturamos: Será que hoje Deus me usou como instrumento de sua operação? Será que o Todo-Poderoso tocou em alguém profundamente por intermédio da minha pregação? Seu poder transformador emanou através de mim sem que eu percebesse?
Nossa missão é pregar. Não temos compromisso com os resultados. Os santos oráculos emanam do Eterno; Ele mesmo encarregar-se-á de torná-los realidade na execução da sua vontade. A Palavra pregada legitimamente independe da nossa frágil competência. Ninguém impedirá seu curso: como um manancial de águas inexaurível, ela fluirá caudalosamente, rumo ao cumprimento do arbítrio e desígnio do Altíssimo: “Assim será a palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11).

8 comentários:

Presbítero Marcelo Mitrach disse...

A paz Pastor Marcos. Isso é normal do ser humano, querer tudo na hora, já, agora. Não nos importamos com os demais, mas a nossa vontade tem que prevalecer. Esta semana ouvi a pregação de um certo pastor (pastor??) dizendo o seguinte: Nós não devemos pedir para Deus fazer a vontade dele, devemos determinar e a benção vai acontecer. Tá vendo Pastor Marcos, é sempre a nossa vontade e nunca a vontade de Deus? Que nos ilumine para sabermos qual é a sua vontade e assim estaremos contribuindo para o reino dos céus.

Pb Marcelo Mitrach - Ministério de Bento Ribeiro.

cassiooliv disse...

É verdade.
Outro dia estava ministrando sobre a lição que falava do amor. É um tema ótimo na teoria, mas difícil na prática.
E citei Romanos 12 a partir do versciculo 9 ao 21 quando paulo fala de como podemos viver nesse amor. No v.13 fala de comunicar os santos na sua necessidade
Ao final do culto chegou uma irmã e relatou a sua necessidade. A "melhor" palavra, podemos dizer assim., é também que cumpre o proposito, aquela que vai de acordo com a necessidade "espiritual" de quem ouve.

O coraçao do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos labios vem do SENHOR.
Pv 16:1

Anderson Cassio de Oliveira
Ass. de Deus de Itabuna/BA

cassiooliv disse...

Ah esqueci de dizer....

Se falamos no seminário aqui em Itabuna

Como diz os americanos

See you

Cassio

André Quirino disse...

Amado pastor Marcos, a paz do Senhor!

Este artigo teve destino direto ao meu coração. "Entretanto, quando nos falta o aparente brilho, desejamos que o chão se abra e sorva celeremente nossa vergonha e decepção". É exatamente assim. Nem sempre os resultados são nítidos no momento da entrega da mensagem.

Às vezes, os seguidores do evangelho empirista - que só vivem atrás de milagres - sentem-se decepcionados comigo porque eu não priorizo isso nas pregações, mas, sim, a exposição bíblica. Se o Espírito Santo se manifestar, em decorrência da pregação da Palavra, de forma a haver curas e milagres, glória a Deus por isso! Se não, não vou forçar ou fingir essa manifestação.

Também não prego gritando o tempo inteiro, dizendo, apenas, em todos os sermões: "Eu não sei o que você está passando, mas se prepare para vencer!" Não faço espetáculos no púlpito, com manifestações exóticas ou forçando um falso pentecostalismo, que mais assemelha-se ao misticismo.

Os seguidores dos falsos "pentecostalismos" decepcionam-se comigo ao fim de cada pregação por estes motivos. Às vezes, após pregar, o dirigente do culto conserta: "Sei que esperamos uma palavra de avivamento, mas Deus, por vezes, nos traz palavras calmas. É assim mesmo, irmãos". Alguns vêm a mim, tentando me animar: "Calma, é assim mesmo, você está apenas começando".

Agora, porém, ao fim de cada pregação, lembrarei do seu artigo, pastor: "Você prega, Deus realiza. Desça do púlpito vitorioso!" Que Deus continue lhe abençoando.

A propósito, no mês que vem o senhor virá à minha igreja. Espero revê-lo. Em Cristo,

Um abraço!

Pastor Marcos Tuler disse...

Caro irmão Pb. Marcelo, muito obrigado por seus enriquecedores comentários. Deus o abençoe.

Pr. Marcos Tuler

Pastor Marcos Tuler disse...

Caro amigo André, vejo que você tem boa experiência nessa área. Que bom que você trata a mensagem divina e o "dom da pregação" com seriedade. Deus o abençoe ricamente. Mas... qual é sua igreja?

Pr. Marcos Tuler

André Quirino disse...

Caro pastor Marcos Tuler,

Amém! Na verdade, só prego há dois anos, mas já passei por algumas situações como as que descrevi. Quanto à minha igreja, sou da 1ª Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Linhares - ES (Ministério CADEESO). O senhor virá aqui nos dias 21 e 22 de agosto.

Um abraço!

André Quirino disse...

Correção: infelizmente, o senhor não virá mais à minha igreja. O evento foi cancelado por motivos justos.