quinta-feira, 22 de janeiro de 2009



PRESERVE OS "RASTROS" DE DEUS

Por: Marcos Tuler

Nas regiões da Ásia, um viajante armou sua tenda à beira da estrada e se acomodou para dormir. O servo dobrou os joelhos para a oração da noite. "Podes ver, apalpar, porventura o teu Deus?" perguntou-lhe o senhor. O servo se calou.
– "Como sabes então que ele existe?" – o amo insiste. Pela manhã, o amo vem à porta da tenda: – "Passou por aqui um camelo." – "Viste-o? Apalpaste-o? Como sabes que ele existe e passou por aqui?" perguntou o servo. – "Cá está o rastro."
– "Ah! Conheces a existência de um camelo pelo rastro e não conheces a Deus pelas obras de suas mãos, pelos astros do firmamento?", disse-lhe o sábio servidor.
Deus nunca se preocupou em provar sua existência, porém o grande argumento bíblico são as evidências das suas obras. "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 19.1).
Deus não somente existe e é criador de todas as coisas, mas, preocupa-se com suas criaturas, especialmente com o homem. Deus fez tudo para livrar a humanidade de seus pecados. A Palavra de Deus afirma que todos pecaram e destituídos ficaram da glória de Deus (Rm 3.23). Deus, porém, na sua misericórdia, não quer que ninguém pereça, e proveu salvação para todos que quiserem. Jesus morreu em lugar do pecador, levando sobre si o pecado do mundo (Is 53.6b; Jo 1.29). Quem quiser pode agora ser salvo mediante o Senhor Jesus Cristo (Mt 1.21). O castigo do pecado que era a morte (Ez 18.4), o Senhor Jesus levou em seu corpo no Calvário.
Deus não somente existe, mas é o galardoador daqueles que o buscam em espírito e em verdade.

O grande astrônomo, Kepler, escreveu: "Na criação vejo a mão de Deus". E o famoso cientista Pasteur, assim se expressou: "Quanto mais estudo a natureza, tanto mais admiro-me das obras de Deus".
A crença na existência de Deus sempre esteve vinculada às suas obras, entrementes, muitas filosofias foram criadas sobre a natureza, como o panteísmo, que confunde o Criador com a criatura. Biblicamente a natureza significa o mundo criado, onde Deus faz imperar as suas leis e desenvolve os seus propósitos. Neste sentido, a criação provê uma notável lição objetiva que nos ensina a grandiosidade de Deus, a sua sabedoria, o seu poder e a sua majestade. Como diz as Escrituras: "Portanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis" (Rm 1.19,20).
Deus não apenas criou a natureza, mas desde o início colocou-a sob o domínio e a regência do homem para a sua própria subsistência. "Enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra..." "...Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente...e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento" (Gn 1.28,29). "Fazes com que ele (o homem) tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés" (Sl 8.6). Grifo Nosso.
De que modo o homem a tem administrado? Como a tem preservado? Se o Criador lhe pedisse contas, como se haveria após milênios de mordomia? Em que situação se encontra a natureza neste novo milênio? O ser humano pode esquivar-se de sua responsabilidade quando a situação envolve subsistência?
Fotos da terra tiradas do espaço mostram um planeta com uma bonita cor verde-azulada. Entretanto, olhando mais de perto, podemos ver uma série de "feridas", todas elas abertas pela ação daninha do próprio homem. Como teve início esse processo de destruição que atualmente começa a ameaçar a sobrevivência da humanidade?
Basta darmos uma passeio a pé por qualquer rua movimentada de uma grande cidade para, depois de algum tempo, sentirmos a garganta e os olhos irritados. Estamos respirando milhares de partículas sólidas, hidrocarbonetos, óxidos de nitrogênio e de enxofre e monóxido de carbono. Essas substâncias são produzidas por veículos, indústrias e incineradores. Tais compostos favorecem o aparecimento de várias doenças. É o homem se autodestruindo pelos maus tratos à velha natureza!
Nas últimas décadas as previsões para esse início de Milênio eram as piores possíveis. Dizia-se que no ano 2010, as pessoas precisariam usar máscaras de oxigênio nas grandes cidades como Tóquio, São Paulo e Los Angeles. Graças a Deus que essas previsões não foram confirmadas.
O lançamento de esgotos sem tratamento ou com tratamento deficiente em rios, lagos e baías é uma das causas da poluição das águas. Uma outra forma de poluição ambiental é causada por aviões supersônicos e pelos aparentemente inofensivos aerossóis, que destroem a camada de ozônio que envolve e protege a terra contra o excesso de radiações ultravioleta.
Mais séria ainda é a poluição causada por substâncias não-biodegradáveis, os detergentes por exemplo, podem formar montanhas de espuma na superfície dos rios.
Os vazamentos acidentais dos navios petroleiros, como aconteceu recentemente na Baía de Guanabara/RJ, bem como a exploração de poços marítimos de petróleo, acarretam a poluição dos mares pelos óleos, que são decompostos muito lentamente. As aves marinhas, os peixes, crustáceos, moluscos e microorganismos sofrem logo os efeitos dessa poluição.
Centenas de espécies de aves e de mamíferos já desapareceram em conseqüência da ação do homem e outras tantas encontram-se atualmente em perigo de extinção.
Ainda poderíamos citar várias outras agressões à natureza como: a destruição do solos, o desflorestamento por meio de queimadas, poluição por pesticidas e a poluição radioativa.
Como Deus, o Criador, vê tudo isso? Como pode suportar tamanho desrespeito, desprezo e assolação da sua obra?
Deus deixou seus “rastros” na forma exuberante da natureza e nos mostra como os conserva. O Criador preserva sua Obra através de leis naturais por Ele mesmo instituídas. Exemplo disso é o caso do peixe-boi da Amazônia. Se for exterminado levará muitas espécies consigo. O gigantesco comedor de capim aquático fertiliza a água com seus excrementos. Essa mistura funciona como adubo que faz crescer plantas, que atraem larvas, que mais tarde alimentam dezenas de espécies de peixes. Sem a presença do peixe-boi esses animais estariam completamente ameaçados. É Deus que mantém este equilíbrio! Quanta generosidade!
Para que o homem se conscientize do cuidado que deve ter com o meio-ambiente e a natureza deve em primeiro plano crer incondicionalmente na existência de um Deus criador, pessoal e presente, que jamais abandonou suas criaturas ao sabor do acaso. Mas que cuida, preserva, e regenera. Veja o modo maravilhoso como o Todo-Poderoso atenta para suas criaturas. O Senhor do Universo trata caprichosamente de cada detalhe, de cada provisão. Ele está sempre nos inquirindo no intuito de O tomarmos como exemplo: "A chuva por ventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho? De que ventre procedeu o gelo? E quem gerou a geada do céu?" E o Altíssimo continua a perguntar: "Por ventura caçarás tu presa para a leoa, ou saciarás a fome dos filhos dos leões? Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus filhotes gritam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?" (Jó 38.28,29,39-41).
Na sua capacidade de sustentador e preservador de tudo, Deus aparece como governador soberano e o maior exemplo de conservador do Planeta. "Ele rega os montes desde as suas câmaras; a terra farta-se do fruto das suas obras. Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão" (Sl 104.1-31).
E quanto a nós, coroa de sua criação? Não deveríamos estar preocupados com a nossa própria conservação? O mais interessante é que as provisões divinas em favor da natureza mostram-nos a sua preocupação providencial por nós também. "Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?" (Mt 6.25-34).

Marcos Tuler é pedagogo, pós-graduado em docência para o ensino superior e chefe do Setor de Educação Cristã da CPAD.

4 comentários:

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

1. Nobre Pr Marcos Tuler, excelente este artigo. Como disse Paulo em At 14.17: "E contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho.....". Ou seja, o Deus que deixa rastros na história.

2. Veja que lindo:

Certa vez um rabino entrou no palácio de um rei e recebeu uma audiência com o soberano. Este lhe fez a pergunta: "Como sabe da existência do Criador?" O rabino pediu respeitosamente ao rei para deixar a sala por alguns instantes. Sobre a mesa havia uma pena, um tinteiro e papel. Enquanto o rei estava fora do aposento, o rabino escreveu um bonito poema no papel. Quando o rei voltou, viu o poema e ficou surpreso pelo seu estilo poético. A tinta ainda estava úmida e o rei elogiou o rabino por escrever poema tão bonito. O rabino respondeu que não tinha escrito o poema, mas sim que tinha pegado o tinteiro, derramado a tinta sobre o papel e que as letras tinham se formado por si mesmas. O rei ridicularizou tal sugestão, dizendo que era impossível a tinta se arranjar sozinha numa única letra, que dirá uma palavra, muito menos uma frase, e certamente não num lindo poema! O rabino respondeu: "Aqui está sua resposta. Se a tinta de um tinteiro não pode formar um poema sem a mão de um poeta, então certamente o mundo, infinitamente mais complexo que o poema, não teria se formado sem a mão de um Criador!"

um fraterno abraço, Pr Marcello de Oliveira

P.s veja a estréia do meu singelo blog:

http://www.davarelohim.blogspot.com

Pastor Marcos Tuler disse...

Caro irmão Marcelo, muito obrigado por seus comentários e, especialmente, por esta belíssima ilustração. Deus o abençoe. Em breve estarei visitando seu blog.

Pr.Marcos Tuler

João Paulo Mendes disse...

Paz do Senhor,


Muito boa a reflexão exposta no artigo, devemos nos concientizar que nossa obrigação como cristãos está muito além de frequentar a igreja e meditar na Palavra do Senhor, temos que ser exemplos de ética e moral também.

Abraço,

JP
www.joaopaulo-mendes.blogspot.com

Prof Damasceno disse...

A paz do Senhor, reverendo...

Ótimo artigo. Realmente, jamais identificamos na Bíblia quaisquer sentimentos que nos incitem a não crer em Deus. Inclusive, em momento algum a Bíblia deixa a menor margem de dúvida sobre tal fato, e já começa com uma afirmação magistral: "No princípio, criou DEUS os céus e a Terra" (Gn 1.1). Assim, Deus se manifesta logo no primeiro verso da Bíblia e é uma realidade basilar em todos os livros da Bíblia.
Deus continue a abençoá-lo!!